O certo e o fácil

Desejaria que o caminho fácil sempre fosse o certo, mas nem sempre é assim. É sabido ainda que o contrário, geralmente, também é verdadeiro: nem todo caminho certo será fácil.

Quando em casa, sabe que a melhor opção seria beber suco, mas quando solicita para alguém fazer e entende que demorará ou quando ele mesmo precisará cortar a fruta, triturar no liquidificador, coar e adoçar, desiste e escolhe o caminho mais fácil: o refrigerante.

Quando no lazer com as crianças, sabe que é mais fácil comprar as baganas queridas e exigidas por elas do que amadurecer os, ainda, inocentes sobre o erro da escolha. Entre o caminho que fará ter crianças chorando ao lado e o que fará ter os ouvidos sossegados, a escolha será pelo mais fácil.

Quando na festa de aniversário, sabe que será mais fácil reunir os amigos mais chegados e os com os quais se relaciona apenas de forma profissional e por interesse de mercado do que fazer momentos diferentes para satisfazer os desejos que são distintos. Amigos mais chegados apreciam festas descontraídas e amigos de mercado precisam, para o seu bem e o deles, de festas politizadas. Amigos mais chegados veem restrições de atuação nas festas politizadas e amigos de mercado enxergam excesso nas festas descontraídas. A festa poderá até ser mais econômica, financeiramente falando, mas será reduzida também em criatividade e emoção ao escolher o caminho mais fácil.

Quando na empresa, sabe que o mais justo será ter uma tabela única de valores para vendas independente do cliente, mas pela facilidade do ganho possibilita variações de preços a depender da exigência da pessoa. Para que se compense o ganho menor em alguns produtos pela maior vantagem nos demais, o cliente que possui dificuldade com argumentação naturalmente será prejudicado ao pagar mais. Nesse exemplo, ser justo está no caminho entendido como difícil pelo empresário.

Ainda na empresa, o ato escutar a todos, possibilitando espaços mais democráticos, exigirá muito do seu dia o que na prática se entende como perda de tempo. Por isso, a decisão será agir de forma unilateral, pois é mais fácil, prático e garantirá o status de autoridade. Qual o caminho você tem escolhido?

Os rotineiros exemplos citados são escolhas aleatórias de um mar de opções que a imaginação pode sondar. Os dias têm solicitado caminhos mais fáceis e foi entendido que o certo estava à venda a preço de banana, pois se imaginou que fácil e certo não poderiam andar juntos. E nem sempre andarão. O caminho certo requer uma agenda diferenciada. Não necessariamente maior tempo, mas, com certeza, maior organização sem deixar de fazer todo o processo e evitar o amontoado de atividades para depois.

Será necessário buscar a praticidade e a flexibilidade diante de tantas habilidades requeridas nos dias atuais para corresponder o que se tem entendido como vida. Porém é na busca da facilidade que, muitas vezes, se exclui a organização e a corrupção bate à porta. Se sempre foi necessário ter criticidade para com o caminho correto será preciso a compreensão de que o caminho fácil exigirá trabalho dobrado; se não agora, depois quando os equívocos não mensurados e não advertidos pela pressa vierem à tona.

A busca do caminho fácil requer a responsabilidade de torná-lo um lugar certo para se caminhar. Entre o fácil e o certo, é preciso fazer a opção pelo que garantirá a sustentabilidade da missão, inclusive dentro da lei.

 

Por Gildeon Mendonça, psicólogo e membro colaborador do DESAM.

Escreve sobre contemporaneidade em www.gildeonmendonca.com

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